Netanyahu não é o “protetor de Israel”
Em 2016, perguntaram a Netanyahu como ele gostaria de ser lembrado. Ele respondeu: “Como protetor de Israel, isso é o suficiente para mim.” Mas longe de nos proteger, ele está arriscando nossa segurança. E quando nossos vizinhos de Gaza não têm nada a perder, nós perdemos muito.
[ por Oded Lifshitz traduzido pelo PAZ AGORA|BR 2019 20/02/25 | www.pazagora.org ]
Oded Lifshitz, jornalista aposentado, foi um dos fundadores do Kibutz Nir Oz no oeste de Negev. Aos oitenta e quatro anos, foi sequestrado do kibutz em 7 de outubro de 2023 e assassinado em cativeiro em Gaza pela Jihad Islâmica Palestina. Seu corpo foi devolvido a Israel em 20/2 como parte do acordo de cessar-fogo Israel-Hamas. Este artigo de opinião foi publicado originalmente na edição hebraica do Haaretz em 2019 e complementado postumamente em 20 de fevereiro de 2025 com notas do tradutor [NT] ao final.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu visita a fronteira entre Israel e Líbano em 2019, após a operação Northern Shield. Crédito: Efi Sharir
Benjamin Netanyahu é um gênio das relações públicas.Convenceu seus apoiadores e até mesmo muitos de seus oponentes de que é um líder popular, um orador brilhante e, mais importante, o “Sr. Segurança” inigualável, o único homem que nos salvará quando o telefone vermelho tocar, e sem ele seremos como crianças assustadas vagando em uma escuridão infestada de demônios, terrorismo e armas nucleares.
A imagem de segurança máxima é a base do poder de Netanyahu e ele sabe disso. Em janeiro de 2016, Fareed Zakaria, da CNN, perguntou a ele como gostaria de ser lembrado, que respondeu : “O protetor de Israel. Isso é o suficiente para mim.” Parece que Netanyahu não pode ser derrotado nas urnas. Mas essa é uma avaliação equivocada e cria um derrotismo autorrealizável entre seus oponentes.
Fareed Zakaria, da CNN, entrevista o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu no Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, em janeiro de 2016. Crédito: Haim Zach / GPO
Vamos, portanto, examinar as alegações de Netanyahu de acordo com um teste de resultados. Seu principal objetivo de segurança é eliminar o programa nuclear do Irã. Embora o programa nuclear esteja congelado, ele ainda existe. Sua nota neste caso é reprovado.
No início do mandato de Netanyahu, o exército do Irã estava estacionado a uma distância de 2.000 quilômetros de Israel. Desde então, as forças iranianas alcançaram a fronteira de Israel nas Colinas de Golã e se uniram ao Hezbollah, o agente do Irã no Líbano, que durante o mandato de Netanyahu adquiriu vastas quantidades de mísseis que poderiam causar estragos em Israel. A nota: Reprovado.
O presidente russo Vladimir Putin, de cuja amizade Netanyahu se gabava, rejeitou seu pedido para remover as forças iranianas da Síria e ficou satisfeito em mantê-las a uma distância mínima duvidosa para nossa fronteira. Desde que os sírios abateram um avião russo, Putin vem restringindo as operações aéreas israelenses e rejeitou descaradamente os apelos de Netanyahu para uma reunião. A nota: Reprovado.
O presidente dos EUA, Donald Trump, aliado de Netanyahu, está removendo forças da Síria que foram colocadas lá pelo aliado de Israel, o ex-presidente Barack Obama. Foi precisamente na era Trump que surgiram as preocupações de Israel não poder contar com a proteção dos EUA. Os governos israelenses promoviam relações com democratas e republicanos e com judeus americanos, que contribuíram para fortalecer o comprometimento americano com nossa defesa. Netanyahu prejudicou essas relações e estamos sujeitos a pagar um alto preço por isso.
Durante seu mandato insuportavelmente longo, Netanyahu falhou em deter o desenvolvimento da profunda crise humanitária em Gaza. Quando nossos vizinhos de Gaza não têm nada a perder, nós perdemos muito. Todas as rodadas de combates em Gaza nos trouxeram de volta à estaca zero, com uma sensação de oportunidade perdida e um empate sangrento e desesperador. Netanyahu, o “protetor de Israel”, ignorou uma oferta do Hamas de uma hudna [trégua de longo prazo], que poderia ter evitado a última e desnecessária rodada de combates. Quando acabou, Netanyahu permitiu que dinheiro fosse transferido para terroristas do Hamas. A nota: Reprovado.
No acordo para libertar Gilad Shalit, Netanyahu pagou ao Hamas libertando, em um movimento escandaloso e populista, 1.027 terroristas por um soldado sequestrado. Cerca de 40 por cento deles retomaram o terrorismo, incluindo o assassinato de 10 israelenses.
O acordo Shalit também prejudicou as capacidades operacionais das Forças de Defesa de Israel. O medo de uma libertação em massa de terroristas transformou todo sequestro potencial de um soldado em uma ameaça estratégica, razão pela qual as operações militares são canceladas e enormes recursos são investidos para frustrar os sequestros. O ápice dessa distorção é a Diretiva Hannibal: ataques extensivos e letais contra os sequestradores e aqueles ao redor deles, mesmo que isso coloque em risco a vida do refém, porque a morte é melhor do que o sequestro! A nota: Reprovado.
Desde o início do atual mandato de Netanyahu, a PROPOSTA ÁRABE DE PAZ está em sua mesa, e não haverá nada melhor: o estabelecimento de um Estado Palestino em troca da paz com os palestinos e os estados árabes. Um líder que realmente se importa com a segurança de Israel nos teria levado a esse destino desejado anos atrás. Netanyahu simplesmente ignorou a proposta. A nota: Reprovado.
Essas são apenas algumas das falhas de Netanyahu. A alegação de que “aqueles que não vão para frente vão para trás” resume apropriadamente seu mandato excessivamente longo, durante o qual a estagnação diplomática e de poder levou à diminuição das chances de paz e à deterioração da segurança. Os principais componentes da política de segurança de Netanyahu desabaram nos últimos meses e não há chance de que ele faça no futuro o que se recusou a fazer até agora.
As suas falhas de segurança podem ser uma importante arma eleitoral na tentativa de persuadir seus apoiadores de que ele é um risco à segurança, e não o “protetor de Israel”.
É possível e necessário provar aos eleitores que o alarmismo de Netanyahu sobre perigos reais e imaginários, seus cartazes e prateleiras de pastas e sessões de fotos com soldados em aberturas de túneis, como se ele fosse um superchefe de gabinete, são acrobacias características, e quando você ignora os detalhes, descobre-se que não há nada, porque Netanyahu não fez nada, exceto danificar a segurança.
A recuperação de Netanyahu já começou entre a sua “base” de direita, que está decepcionada com seu fracasso no último confronto com o Hamas. As pesquisas ainda o favorecem, mas as roupas de segurança imaginárias estão expondo a nudez de seus fracassos. Netanyahu ainda recebe aplausos entusiasmados no Likud, mas muitos dos que o aplaudem estão fingindo orgasmos.
Ele falhou no teste de resultados e deve ser substituído por um líder que não repita indefinidamente o mesmo mantra desgastado em um baixo-barítono autoritário, acompanhado de um olhar ameaçador: “Que todos os nossos inimigos saibam que puniremos severamente qualquer um que nos prejudicar até que se arrependa de seus crimes”. Precisamos de um líder ativo que resolva problemas de segurança e não perpetue esses problemas e trave guerras contra eles.
NT: Às falhas relacionadas acima por Oded Lifshitz z’L em 2019 devem ser acrescidos erros (malfeitos) monumentais desde aquela data, destacando os processos por suborno e interferência na compra de submarinos, e , particularmente a desmobilização da defesa dos kibutzim e cidades em torno de Gaza, sobre a qual já havia evidências de um iminente ataque mortífero do Hamas (que vitimaria, entre milhares de inocentes, o próprio autor).
Finalmente, houve a resposta desproporcional do Exército comandada por Netanyahu que, a pretexto de eliminar terroristas, exterminou populações inteiras de palestinos (punições coletivas), inflingindo dezenas de milhares de mortes (danos colaterais?. A infra-estrutura da Gaza, assim como a maior parte das residências e hospitais foram reduzidas a escombros inabitáveis.
Sob o pretexto de combater o Hamas, alimentou-se assim um caldo de cultura de ódio entre os palestinos, que deve gerar um sentimento de vingança contra israelenses e a multiplicação das fileiras de terroristas, por gerações. Já se fala que os combatentes caídos do Hamas estão sendo substituídos por recrutas jovens fortemente motivados.
Lembre-se ainda – importante – que a posição internacional de Israel está se deteriorando a níveis nunca vistos, face à transgressão de limites nas ações de guerra. O próprio Netanyahu está sendo processado por crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional de Haia. Tais crimes estão provocando a maior onda mundial de antissemitismo, que atinge todas as classes sociais e a opinião pública universitária, até mesmo aqui no Brasil.
A História registra inúmeros episódios generalizados de antissemitismo, como nas épocas da Inquisição e do Nazismo. Mas o antissemitismo atual tem como principal responsável uma única pessoa – Benjamin Netanyahu. Ele deve ser julgado por todos seus crimes, inclusive pelo esfacelamento da sociedade israelense e o esgarçamento moral de suas forças de defesa, induzidas a crimes de guerra
Israel precisa retomar seu destino de sociedade igualitária, motivo de admiração mundial e em paz com o futuro Estado Palestino, cuja construção deve apoiar ativamente, iniciando pela evacuação dos Territórios Ocupados, na Cisjordânia e em Gaza..
Fora Bibi!
QUEREMOS JUSTIÇA E PAZ – AGORA!
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A cineasta Sharone Lifshitz, filha do ativista pela paz mantido refém em Gaza, Oded Lifshitz, se pronuncia: “Nunca mais verei meu pai vivo se o primeiro-ministro continuar sabotando o acordo” (20/08/24)
Oded Lifshitz, refém morto há mais de um ano pela Jihad Islâmica, foi devolvido a Israel num caixão após cerca de 500 dias de cativeiro nos túneis de Gaza. Era jornalista e incansável ativista pela paz. Nasceu em Haifa em 1940. Participou do movimento juvenil Hashomer Hatzair em sua juventude.
Lifshitz, um dos fundadores do Kibutz Nir Oz em 1955 (de onde foi sequestrado aos 83 anos em 7/10/23), relatou infames massacres de palestinos por milícias apoiadas por Israel.
Oded Lifshitz foi um dos fundadores da PAZ AGORA no oeste do Negev. Seus valores eram os de um verdadeiro herói: buscar coexistência, compreensão e uma realidade melhor para todos, independentemente de nacionalidade ou religião.
Mais recentemente, Lifshitz, fluente em árabe, esteve ativamente envolvido durante anos com a Road for Recovery , uma organização que ajuda palestinos a receber tratamento médico em Israel.
Segundo sua família, ele dirigia semanalmente até a passagem de Erez, na fronteira com a Faixa de Gaza, para pegar palestinos doentes e transportá-los para hospitais israelenses.
Em uma longa carreira no extinto jornal de esquerda Al-Hamishmar, associado ao movimento kibutziano, ele defendeu os direitos palestinos e a paz. Trabalhou também na Rádio do Exército então um veículo progressista, onde apresentava o programa “A Light Hour on Economics”.
Em 1972, ele defendeu os beduínos que foram expulsos da Península do Sinai pelas autoridades israelenses.
Uma década depois, durante a guerra civil libanesa e a invasão do Líbano por Israel, ele foi um dos primeiros jornalistas a relatar os massacres de Sabra e Chatila, nos quais milícias cristãs apoiadas por Israel mataram entre 800 e 2.000 palestinos em campos de refugiados de Beirute.
Nem todos os palestinos apoiam a depravação do Hamas. E nem todos os israelenses apoiam a vingança sanguinária de Ben-Gvir.
Quando o Hamas liberta os corpos de quatro reféns israelenses – um avô, uma mãe e os seus dois filhos pequenos – é recebido com apelos por parte de políticos israelenses de extrema-direita para “eliminar, punir e destruir” É necessário lembrar que nem os palestinos nem os israelenses têm o monopólio da depravação ou da decência.
[ por Dalia Sheindlin | Haaretz 20.02.25 | traduzido pelo PAZ AGORA|BR www.pazagora.org ]
“Os nazistas trouxeram seus filhos para assistir ao ‘show’. Para assistir aos caixões dos bebês que eles assassinaram”, escreveu um membro anônimo de um grupo israelense do WhatsApp na quinta-feira. “Não há inocentes em Gaza! Nem mesmo um bebê de um dia de vida”, concluiu a pessoa. Enquanto os israelenses esperavam miseravelmente pelos corpos dos quatro reféns — Shiri Bibas e seus filhos pequenos Kfir e Ariel, e o idoso Oded Lifschitz — era difícil encontrar palavras. Então, eu escutei aqueles ao meu redor.
O ex-ministro ultranacionalista Itamar Ben-Gvir, que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu gostaria de trazer de volta ao seu governo, implorou a seus seguidores no ‘X’ para “lembrarem esses momentos. … A alegria desses animais de rapina. A sede de sangue. O conhecimento claro de que esses nazistas não podem viver. … Os nazistas não merecem [ajuda] humanitária”, continuou Ben-Gvir. “Nem combustível. Nem eletricidade. Nem caravanas. … Nenhum cessar-fogo, nenhuma retirada. Apenas os portões do inferno!”
Na noite anterior, ele havia oferecido mais ideias: “Destruir, derrubar, amputar, acabar com, esmagar, explodir, queimar, brutalizar, punir, arruinar, achatar. Destruir!” Os israelenses que insistem que todos os palestinos são culpados pelo 7 de outubro até têm uma resposta pronta quando são informados sobre palestinos que escreveram mensagens privadas para israelenses condenando a violência do Hamas contra civis em geral e o 7 de outubro em particular. Eles não escreverão publicamente, insistem os israelenses, porque temem o que caracterizam como a norma social palestina predominante em favor de massacres.
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Mas na quarta-feira, antes da libertação dos reféns, meu feed estava cheio de palestinos dizendo isso publicamente. Uma escritora palestina de Israel postou: “Nada justifica o sequestro de bebês. NADA!” Ela estava repostando Ihab Hassan, um palestino que usa termos como “depravado” ou “covardia e depravação vil” para o Hamas, “crime de guerra” em relação à família Bibas, e afirma que “o Hamas é uma mancha em nossa causa”. Um diplomata palestino da ONU, o embaixador Majed Bamya, postou uma condenação da violência contra crianças israelenses e palestinas. Aziz Abu Sarah, um amigo palestino de longa data, passou a vida condenando publicamente a violência contra civis de todos os lados, pedindo paz e trabalhando em parceria com os israelenses.
Esses compromissos foram a resposta de Aziz à morte de seu irmão, após ser espancado em prisões israelenses décadas antes. Além disso, alguém poderia facilmente acusar todos os israelenses de serem sanguinários e vingativos, dada a cobertura de quinta-feira na mídia de direita e na grande mídia da cerimônia doentia do Hamas transferindo os corpos.
Mas a Praça dos Reféns em Tel Aviv não correspondeu bem a essa impressão. Grupos de pessoas vagavam sob chuva intermitente, parecendo principalmente atordoadas de tristeza. Um cinegrafista mexeu em seu quadro, lágrimas manchando suas bochechas. Um grupo de estudantes da academia pré-militar afiliados ao movimento Reformista cantavam junto com um líder tocando canções tristes no violão.
Tal Arnon, editora de idiomas de 46 anos, estava chorando baixinho antes de falarmos. Ela se descreveu como bastante esquerdista. Ela ainda se sente esquerdista em um dia como este? “Mais do que nunca”, disse Tal, sem hesitação. Ela não conseguia deixar de pensar na “dor das mães em Gaza, que não vemos”, e falou de pessoas destruídas e enterradas sob os escombros. Ela rejeitou categoricamente a noção de que “todos são responsáveis”, como muitos israelenses acreditam. E “se algo de bom pode sair desta Shoá”, ela disse, usando o termo hebraico para o Holocausto, talvez haja um acordo com os palestinos – “como depois da guerra com o Egito”.
Oded Lifschitz, cujos restos mortais foram devolvidos na quinta-feira, escreveu em 2018: “Quando nossos vizinhos de Gaza não têm nada a perder, nós perdemos muito.
Yuval, psicólogo de 33 anos da área de Tel Aviv, estava na praça, sozinho e parado. Ele tinha vindo para apoiar as famílias dos reféns, mas também sentia que não podia fazer mais nada em um dia como esse. Vários eventos culturais em Israel foram cancelados na quinta-feira.
Yuval estava mais preocupado com a quebra irreparável de confiança entre os israelenses e o que ele via como sua liderança corrupta e podre. Ele estava angustiado com os crimes do Hamas, mas quando perguntado sobre como ele vê os palestinos em geral, disse que não tinha pensamentos específicos. No futuro, ele acha que deve haver uma “aliança regional com estados muçulmanos moderados”, melhores condições de vida para os palestinos, separação entre os lados. E se houver conflitos futuros, eles devem ocorrer entre dois Estados, não Israel lutando contra grupos terroristas. Yuval não soou como um esquerdista de extrema esquerda associado ao clichê cansado de uma bolha de Tel Aviv. Na verdade, menos de um quarto dos moradores de Tel Aviv votaram em partidos declarados de esquerda em 2022, incluindo partidos que representam principalmente eleitores árabes. E além dos números, as pessoas na praça são parte da sociedade, ponto final
Visões semelhantes podem ser encontradas entre os moradores dos kibutzim do sul que viveram duas décadas sob fogo de foguetes, ao lado de seus vizinhos nos redutos próximos do Likud e do Shas. E as distinções familiares entre esquerda e direita dificilmente são a palavra final: nem todo eleitor de direita ou centrista busca vingança sangrenta contra bebês de um dia em Gaza. O fato é que as pessoas podem viver os mesmos traumas horríveis e chegar a conclusões radicalmente diferentes. Após a Segunda Guerra Mundial, alguns judeus se recusaram a visitar a Alemanha ou comprar produtos alemães. Em 1952, os israelenses se revoltaram contra o Knesset para protestar contra os planos de David Ben-Gurion de aceitar reparações.
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Mas sete anos antes, um sobrevivente de Auschwitz lembrou de um comandante de campo que regularmente comprava remédios para os prisioneiros com seu próprio dinheiro e nunca batia neles, enquanto um diretor que também era um prisioneiro espancava os prisioneiros cruelmente. O sobrevivente, Viktor Frankl, concluiu que ser um guarda de campo ou um prisioneiro “não nos diz quase nada. A bondade humana pode ser encontrada em todos os grupos, mesmo aqueles que, como um todo, seriam fáceis de condenar. … Não devemos tentar simplificar as coisas dizendo que esses homens eram anjos e aqueles eram demônios.” E em seu livro clássico “Em busca de sentido”, Frankl escreveu sobre “duas raças de homens … a ‘raça’ do homem decente e a ‘raça’ do homem indecente, … Nenhum grupo consiste inteiramente de pessoas decentes ou indecentes. Nesse sentido, nenhum grupo é de ‘raça pura’.”
Se essas palavras oferecem um pouco de conforto, é porque são verdadeiras.