Cerca de cem mil ativistas compareceram à Praça Rabin, Tel Aviv, à manifestação rememorando o 24º aniversário do assassinato do ex-primeiro ministro Yitzhak Rabin, sob o slogan ‘SIM À PAZ, NÃO À VIOLÊNCIA’.
O ato começou com um vídeo de Rabin falando no mesmo local, momentos antes de ser assassinado:
“Uma nova realidade é possível onde o povo realmente desejará a paz e se oporá à violência”. Rabin discursava sob os aplausos da multidão…
“A violência é a maior ameaça para um Estado democrático. O Estado Judeu deve opor-se a ela, acabar com ela e chutá-la para fora”.
O Último Discurso de Rabin | Yitzhak Rabin | 14|11|1995
A Noite em que Rabin Morreu | David Grossman | 04|11|2005
A Lição de Rabin para o Campo da Paz | Yossi Beilin | 02|11|2005
Do Cessar Fogo à Paz | David Grossman | 30|08|2014
Quem matou Yitzhak Rabin? | Bernardo Sorj | 19|10|2010
LEIA + AQUI
Benny Gantz, líder do partido Azul e Branco, disse que nestes dias “o ódio tornou-se novamente uma arma perigosa nas mãos de políticos que não tem fronteiras”.
“Rabin foi assassinado por causa de facciosismo, por causa de incitamento, por causa de ódio. Vinte e quatro anos depois, Rabin não está conosco, mas para nossa desgraça, o incitamento está mostrando sua cara horrível”, acrescentou.
Gantz poderia estar se referindo ao seu rival, o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que liderava a oposição no tempo do assassinato de Rabin, mas o antigo chefe do exército disse que o incitamento e o ódio não “se limitavam” a um segmento demográfico ou campo político.
“Como primeiro-ministro de Israel. Irei aspirar e agir para transformar esta manifestação em ato oficial compartilhado por toda a sociedade israelense”, disse Gantz, que foi convidado em outubro para formar o próximo governo, , após o Netanyahu retornar esse encargo para o presidente Reuven Rivlin. “Eu quero que esta praça esteja equilibrada, para todas as correntes encontrarem nela seu espaço e chorarem sinceramente este assassinato imperdoável”.
Diferente do discurso de Rabin em 1995 , Gantz foi cauteloso em se posicionar como centrista e não esquerdista, fazendo pouca menção ao processo de paz com os palestinos e focando sobre as necessidades de pacificação interna, incluindo as minorias.
Ele disse que a paz regional era de interesse tanto de Israel quanto de “muitos países ao redor que estão enfrentando a loucura de extremistas” e que “Rabin foi “corajoso ao assinar acordos de paz com nossos maiores inimigos”.
“Nós recuperaremos a deterrência e saberemos como lutar, mas também saberemos utilizar essa deterrência e como recuperar a esperança. Assim como fez Yitzhak Rabin.”
O slogan da manifestação deste sábado era “SIM À PAZ, NÃO À VIOLÊNCIA ‘, exatamente o mesmo adotado no ato ao fim do qual Rabin foi baleado.
Também falaram o diretor geral do gabinete de Rabin, Shimon Sheves; Yaron Zilberman, cineasta que recentemente lançou o filme “Incitement” descrevendo o ano que levou ao assassinato e ativistas árabes e judias da ONG Women Wage Peace [Mulheres fazem a Paz]. Rachel Rabin, irmã de Yitzhak, 94, compareceu.
Músicos populares, incluindo Aviv Gefen e Achinoam Nini (Noa) – que também haviam cantado no fatídico comício de 24 anos atrás – foram seguidos por um coral de estudantes árabes e judeus que cantaram juntos a famosa ‘Shir la Shalom” [Canção da Paz], que notadamente Rabin havia cantado minutos antes de ser abatido.
Canção para a Paz (Shir la Shalom) – hebraico/português
[ por Bar Peleg (Haaretz) Jacob Magid e Raoul Wootliff| (The Times of Israel) 02|11|2019 | traduzido e editado por PAZ AGORA|BR ]